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Sobre Bigodes e força de vontade

Novembro está quase no fim, e algumas pessoas que me conhecem podem estar horrorizadas com minha bizarra aparência bigoduda.

Uns três anos atrás eu conheci o movimento do Movember. Eles promovem a conscientização do homem sobre sua saúde usando essa campanha dos bigodudos. Mustache, bigode em inglês, ou simplesmente “Mo” (como dizem os australianos) + November = Movember. Durante o mês os participantes divulgam sua imagem bigoduda para arrecadar fundos que serão utilizados por instituições pró saúde.

Homem em geral precisa ser constantemente lembrado de que não é imortal. Uma doença sempre pode nos levar dessa terra, e a melhor forma de evitar isso é cuidando da saúde e se prevenindo. Visite seu médico com frequência, faça um checkup pelo menos uma vez por ano, cuide da alimentação e pratique alguma atividade física sempre.

Um dos focos é o câncer de próstata. O mais importante de tudo é não ter vergonha de fazer o exame de toque. É algo incômodo, é algo invasivo, mas é algo que está te ajudando a identificar e se proteger de uma doença terrível.

Homem é um bicho muito macho, másculo, <<insira aqui seu adjetivo favorito>>, porém é também muito preconceituoso, teimoso e acha que sua honra será diminuída apenas por fazer sua obrigação de cuidar de si mesmo. Cuidar da aparência, cuidar da saúde, tudo isso é coisa de “afeminado”, por isso eles não o fazem.

Quanto mais pessoas espalharem a ideia de prevenção e diagnóstico, mais pessoas serão salvas todos os anos.

O que realmente me empurrou de vez a seguir essa campanha nesse ano e usar meu ridículo bigodão que me faz rir toda vez que me olho no espelho foi o fato de que em Junho eu perdi meu padrinho para essa doença silenciosa que só se anuncia quando é tarde demais.

Havia alguns anos que eu não falava com ele, e fiquei sabendo muito tarde sobre seu falecimento, mas sempre levei suas lições de vida comigo.

Quando eu era mais novo, costumava passar as tardes na loja dele, e ele costumava dizer para mim algo como:

Aprenda a se conhecer, e nunca esqueça o valor que você tem, pois você precisa saber do que é capaz.

Podem tirar tudo de você nessa vida,as enquanto não tirarem sua vida, você pode se levantar e continuar em frente, por mais que coisas aconteçam contigo.

Um exemplo é que minha mulher pode pedir o divórcio, ficar com o filho, os carros, a loja e a casa. Posso parar embaixo da ponte sem onde ficar, mas ninguém jamais será capaz de tirar de mim o que eu sou, um batalhador.

Posso ser privado de tudo, mas logo conseguirei um novo trabalho, uma nova casa e logo estarei bem de novo, pois sei do que sou capaz e vou atrás do que quero.

Ele era o tipo de pessoa que fazia o que fosse necessário ser feito. Sempre muito esforçado, sempre com um exemplo de perseverança.

Não posso dizer que o conheci muito bem, mas sempre poderei falar sobre essa lição que ele me ensinou.

Então sejamos perseverantes, façamos a mudança em nós mesmos, cuidemo-nos e sejamos felizes e saudáveis.

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Publicado por em novembro 22, 2013 em Uncategorized

 

Horda

Mais um post da série “Chovendo no molhado com um texto muito longo”. Mas queria botar pra fora minha opinião.

Quebra-quebra, histeria, bagunça e discriminação em geral são rotina

Pessoas são inteligentes, então por que algumas coisas não dão certo, em especial quando temos grupos de pessoas?

No primeiro filme MIB há uma cena com um diálogo parecido com isso:

“J. Mas por que não avisar as pessoas sobre os aliens? Elas são inteligentes.”

“K. Uma pessoa é inteligente, uma multidão é um bando assustado e perigoso.”

Todo mundo já deve ter ouvido “Dê poder a um homem, e você descobrirá seu verdadeiro caráter”. Então o que acontece caso tenhamos um grupo com o poder dos números? E se esse pessoal forma um grupo assustado como dito no filme? Um grupo assustado é um grupo alienado também.

Quando há um grupo, por causa dessa mentalidade, há um comportamento similar dos membros seguindo o instinto da maioria. Com liderança adequada é possível coordenar os atos para fins bons ou ruins. Os noticiários estão provando que os grupos cada vez mais estão se voltando a algo errado.

Nós brasileiros somos um povo sentimental, de comportamento explosivo, super preguiçoso quando o assunto é pensar, somos oportunistas, também há essa passividade e além disso, ainda tivemos muitos anos de negligência do governo para com a educação. O resultado prático são os Black blocs, invasão no instituto Royal, pessoas aplaudindo idiotas e outras coisas que vemos nas diariamente.

Seja um ato puramente impensado ou uma manipulação feita por algum outro grande poder, o resultado é um atestado de que coletivamente estamos burros, seguindo a manada e não pensando nada no futuro de nossas ações.

Vemos isso todos os dias no Facebook, com o infinito compartilhamentos de fotos que causam indignação e queimam o filme de pessoas com fatos escandalosos, muitas vezes mentiras, ou sem uma fonte confiável, que não ajuda em nada a manter o povo raciocinando.

No caso dos Black blocs, ou temos um bando de baderneiros que só querem quebrar e fazer bagunça, ou temos alguma grande empresa (mídia, talvez até governo) fazendo bagunça para queimar o filme do movimento de protestos moveu o país no meio deste ano. Pois assim o povo não se manifesta por não querer se misturar com baderneiros, correndo o risco de ser preso.

Recentemente tivemos o caso do instituto Royal. Meus amigos ativistas dos direitos dos animais que me perdoem, mas se querem fazer algo, usem a cabeça antes de agir. Não sou contra denúncias e protestos, mas quebra-quebra e roubo de cobaias usando a alegação de que estavam torturando bichos é de uma burrice infinita. Existem meios legais de fazer denúncias e agir, sendo que o jeito mais adequado para se agir é investigar para descobrir o que está acontecendo antes de qualquer coisa.

Vi alguns vídeos (não todos) da invasão e não vi as barbaridades que alegavam ser cometidas com os animais em lugar algum; vi apenas a barbaridade dos protestantes quebrando tudo por causa de cachorros. Não vi ninguém levando os ratos pra casa também, e pior ainda, ouvi dizer que se não nesse caso, em outra invasão eles lembraram dos ratos, porém os soltaram no mato. O dano ao meio ambiente e aos bichos nesse tipo de caso não pode ser reparado. No melhor dos casos as cobaias morrem por não ter anticorpos para lutar contra o meio ambiente. No pior dos casos você está lançando criaturas doentes ou geneticamente alteradas no meio ambiente, alterando o ecossistema de uma forma totalmente descontrolada e irreversível.

E no fim, tudo isso foi apenas uma manobra política da pessoa para ficar conhecida e ter uma base que a apoiará cegamente quando ela quiser se eleger. Gente assim é um câncer social, pois estão usando pessoas facilmente alienáveis para fingir lutar por alguma causa que desconhece completamente.

O ato de refletir e raciocinar não é difícil, porém requer prática. A capacidade de reflexão parece ser cada vez mais reduzida quando se está em um grupo conforme o tamanho do mesmo aumenta. Quanto mais pessoas exercerem sua capacidade de reflexão, mais ações eficientes para resolver os problemas serão tomadas.

E o comportamento acontece também no mundo digital, como dito anteriormente, aprendam a analisar o que veem no facebook. Reflitam se parece verdade, se é lógico, se tem fontes confiáveis. Pois se não há fontes, vídeos ou qualquer detalhe importante, pode ser apenas uma manipulação em massa. Se você deixa de fazer esses passos, você não está sozinho, mas pode mudar essa rotina.

Então se destaque, se esforce, pense, discuta e convença outros a fazer o mesmo. Se somos uma massa, que sejamos uma massa inteligente, não uma simples massa de manobra na mão de quem tem poder. Há injustiças, notícias ruins e polêmicas todos os dias, mas devemos aprender a lidar com o que vemos de modo racional e prático sempre.

Outro evento recente envolveu mais um dos nossos queridos gênios do humor inteligente de hoje em dia. Parece Danilo Gentili está sendo processado por usar a imagem de uma pessoa indevidamente e por ter feito uma piadinha “inocente” que abalou a vida da “vítima”. O problema da piada (além de ser ruim) é que além da piada, ele mostrou a foto da pessoa, expondo a vida dela.

Minha opinião é que se você faz uma piada que denigre qualquer pessoa, gênero, ascendência ou classe social, você está não apenas inferiorizando, como propagando a idéia de que o alvo da piada é inferior. Quanto mais uma ideia for repetida, mais ela se torna comum, sendo assimilada ainda que de forma involuntária e replicada.

Uma boa forma de se certificar que uma piada é ou não saudável é se perguntar se ela não causaria algum tipo de desconforto caso você a conte para um total estranho.

Hoje muita gente defende o tipo de piada que foi feita porque ele é humorista, faz humor ácido, humor politicamente incorreto, inteligente, portanto pode falar muita merda sem se preocupar. Mas na prática isso é errado porque vivemos em sociedade. E toda sociedade pode e deve mudar, os valores mudam sempre, as opiniões também. Piadas super engraçadas de um passado podem ser piadas de péssimo gosto para o alvo hoje em dia.

Outra coisa que eu costumo ver, é a justificativa desse tipo de comportamento usando a expressão “antes todo mundo fazia isso e não tinha problema” é o mesmo que seguir o fluxo numa horda. Você não precisa de um motivo de verdade, apenas a justificativa de que outras pessoas faziam isso antes de você para fazer o que quer.

Apenas lembrando que é mais ou menos assim que a horda age, um faz, o outro repete porque acha que pode, já que o primeiro fez, e mais outro segue, uma lógica circular que justifica a estupidez usando a própria estupidez, espalhando a bagunça para todos os lados.

O texto está super longo, então deixarei os dois adendos como opcionais. Portanto, já que são complementos. Mas agradecemos a preferência caso ainda queiram ler.

Um pequeno extra sobre humor.

Um argumento para isso pode ser consultado na Wikipédia, no artigo que fala sobre Humor há a citação sobre “teorias do humor”. Entre essas teorias há uma que diz que uma das formas de se fazer humor é necessário que haja um instinto de superioridade sobre um indivíduo ou uma situação. Acho que o humor que faz mais sucesso no Brasil é esse.

No passado todo mundo falava e fazia várias piadas sobre negros, mulheres e quaisquer minorias. Negros sempre foram considerados inferiores, e quando tiveram sua liberdade, aqueles que não os consideravam semelhantes passaram a praticar o racismo, e não apenas o racismo direto, como as piadinhas de que negro é burro, negro é isso, negro é aquilo. Mulher não tem que trabalhar, e muito menos votar, são cidadãs de classe inferior. Tem é que ficar em casa, criar crianças, cozinhar, faxinar e estar linda e perfumada para seu marido de noite.

Acham isso absurdo hoje em dia, mas não esqueçam que muitos anos atrás, achavam essas “piadas” engraçadas. É por isso que devemos nos policiar hoje em dia. As sociedades mudam, as pessoas mudam. O padrão de humor está mudando, as pessoas estão mais sensíveis, mas isso não quer dizer que é o fim do humor, e sim que é necessário criar novas formas de humor.

Acredito que as pessoas sejam naturalmente “más” no ponto que elas não querem saber de muita coisa, estão mais preocupadas com elas mesmas e sua satisfação pessoal apenas. Se sentir superior em relação a outros, ser o melhor em uma atividade é coisa que quase todos nós queremos.

Sobre ciência e o uso de animais.

Eu sou a favor de testes em seres vivos desde que sigam padrões e que o façam do jeito correto. O bicho não precisa sofrer dor por causa dos exames. Tortura, vivissecção, desmembramentos e outras coisas não acontecem a não ser na cabeça de quem é manipulado a acreditar que acontecem. Não é assim que a ciência trabalha.

Pois uma coisa que acontece muito é o pessoal confundir exames em animais com atos de sadismo puro. O principal motivo para se executarem exames em bichos pequenos é que o ciclo de vida deles é muito curto, por isso eles podem nos mostrar o que pode acontecer como consequência do uso prolongado de medicamentos e produtos químicos em geral. Eles não vão ficar amputando membros ou fazer vivissecção do bicho só porque deu na telha.

O mesmo tipo de teste com humanos levaria muito mais tempo porque nosso organismo vive por muito tempo. Em vez de ter estudos completos em 10 anos, precisaríamos de pelo menos uns 60 anos para validar cada substância.

Uma maneira alternativas é usar tecidos cultivados in vitro. O problema de usar esse tipo de coisa são os religiosos e outros que pregam que a vida humana é sagrada e não podemos exercer testes com fetos, células tronco e outros materiais orgânicos. Se já vimos esse tipo de bagunça só por causa dos beagles, imaginem o tipo de zorra que não fariam caso soubessem que algum instituto realiza testes com seres humanos.

E para encerrar o assunto da ciência, vou falar sobre o método científico.

O método científico é uma maneira de estudar criada há muito tempo que visa observar um fenômeno, elaborar uma teoria que o explique, aplicar testes que comprovem ou refutem a teoria e então repetir o processo até que não haja dúvidas do resultado.

Eles precisam usar essa lógica para validar componentes químicos em tudo, desde seus remédios, cosméticos, a até a tintura de roupas, comida e quaisquer coisas que usamos no dia a dia. Não há experimentação sádica, a menos que o dito “cientista” seja apenas um sádico sem vergonha.

Inclusive as empresas que dizem que não testam seus produtos em animais pagam para outros laboratórios em outros países para que façam os testes. E ainda que não testem o produto final, todos os componentes do produto final já foram sim testados em animais no passado ou em outros lugares do globo.

 

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Arrogância

Vamos falar de algo que sempre me incomoda no brasileiro.

Eu meio que falei sobre isso no outro texto sobre humildade, mas agora focarei um pouco no outro lado da moeda.

O maior problema dos brasileiros é essa noção super errada que dinheiro e/ou função definem caráter e valor da pessoa.

Se uma pessoa tem menos dinheiro que você, ela é pobre e você se sente ameaçado com ela por perto, ou ela não interessa para você. Se ela tem mais dinheiro ou fez algo que você nunca fez, ela é arrogante e exibida se demonstra fazer algo que você não faz.

Brasileiros são arrogantes e tem um complexo de inferioridade que dá medo. Isso e a nossa superficialidade natural são o melhor combustível para o abismo social que assola esse país.

Hoje encontramos esses seres em qualquer lugar, qualquer empresa ou qualquer igreja. Independe de cor de pele e origem. Vejo isso quase todo dia. Só não vejo todo dia porque sou um alienado e não interajo muito com gente durante o dia.

Bom, vamos ao ponto antes que o texto fique demasiado longo e tedioso como os outros.

O meu ponto é que não importa se a pessoa é rica, pobre, se é porteiro ou presidente, todos somos um conjunto de carne, ossos e fluidos que pensa e tem funções em sociedade. É muito comum pessoas da limpeza serem vistas como seres inferiores que não estudaram, que não tiveram oportunidades ou que são preguiçosas e não quiseram “ser alguém” na vida.

Essas próprias pessoas se veem como pessoas de classe inferior e mal olham para as pessoas para não as incomodar.

Pessoas que falam um outro idioma ou saíram do país são vistos como seres de sangue azul. Isso é ridículo, qualquer um pode aprender se quiser. Se alguém falar algum termo em inglês perto de você, você não precisa se sentir ofendido, é uma forma de se expressar e não quer dizer que a pessoa se sente superior, e sim que ela conhece um termo numa língua que é mais eficiente do que os nossos para expressar aquilo.

Se você pega alguém importante, como um presidente de alguma grande empresa e dá um banheiro para ele limpar, qual não seria a cara de nojinho que ele faria? Ele limparia a sujeira dos outros de cabeça erguida como nossa faxineira?

Cada um tem sua função, e cada um deveria ter orgulho dela, mas sem jamais desmerecer o trabalho de outros.

Um pedreiro na maioria dos casos é visto como um Zé ninguém aqui que faz “trabalhos brutos porque é ignorante”. Mas se pegar esse mesmo cara e levar para o Canadá, ele fará rios de dinheiro e será super respeitado, porque a sociedade de lá não tem muita gente interessada em trabalhos braçais.

Para quem não acredita, dá uma olhada nesse link que aponta para um divertido texto do Izzy Nobre, vejam o tópico número 6.

Então por que o preconceito? Esse comportamento acontece em qualquer lugar e não é só com faxineiros, se alguém é supervisor, coordenador ou qualquer outra coisa, vemos o comportamento se repetindo e a discriminação rolando solta.

Acho que é um problema com complexos de inferioridade. Se sentem inferiores até poderem dar um passo e compensar a frustração que sentiam, alimentando o ciclo vicioso para todo o sempre.

É possível ser uma pessoa humilde ou um crápula independentemente da quantidade de dinheiro que você tem, seu cargo, etnia ou escolhas da vida.

Sejamos todos melhores, só depende de nós vencer o preconceito.

 

Humildade e abismo social

Eu não sei de onde a palavra humildade veio. Desconfio que se os cristãos não a tenham concebido, foram aqueles que a tornaram mais popular. É lógico que outras religiões também mostram exemplos claros de humildade, mas acho que os cristãos são os maiores exemplos dela em nossa sociedade brasileira.

Mas a minha dúvida era “o que é ser humilde?”

Quando procurei na Wikipédia seu significado, vi aquilo que eu sempre vi em nossa cultura, uma palavra com um significado bem arraigado nas estruturas do cristianismo. Porém antes de tudo, a definição que vi se resume a “Seja humilde é não demonstrar-se superior a alguém ou a algo”.

A definição é bem simples, mas vejo que muita gente distorce isso para “rebaixar-se é ser humilde”; “os humilhados serão exaltados” e por aí vai.

Digo que essa postura descrita em qualquer livro religioso, ou pregado por qualquer líder) é o principal problema que foi embutido no significado da palavra.

Afinal, você precisa se rebaixar e dizer estar errado só porque alguém com maior autoridade que a sua disse isso? Mesmo quando você estuda um assunto e o entende mais do que a tal autoridade?

Essa humildade é um ponto de controle. Veja o ponto de vista que foi pregado por tantos anos pela igreja. Se você se humilha para ser exaltado depois, está sendo interesseiro, não humilde. Ou se você deixa de fazer as coisas porque precisa ser humilde para não bater de frente com alguém com mais poder do que você, você está sendo coagido.

Submissão e simplicidade são associadas à humildade, porém não são traços dela.

Acho que humildade de verdade é você saber quando baixar a cabeça e reconhecer que pode estar errado quando alguém te corrige, independentemente da sua posição.

Pois de nada adianta você ler tanto sobre um assunto e ir conversar com alguém que também entende, expressar o que entendeu e cuspir fogo ao ser corrigido por não ter entendido direito. Quando a situação se inverte, o novo estudou e aprendeu mais do que o antigo, se o antigo cospe fogo, não está sendo humilde.

A sociedade brasileira tem esse problema de sempre ser educada sabendo que existe o certo, o errado e o poder. Aqui quem manda mais é quem define o que é o que.

A desigualdade social em nosso país é algo gritante desde o começo de nossas vidas, e acho que por isso a grande maioria dos brasileiros não entende o que é ser humilde.

Vivemos dependendo da opinião alheia sobre nós mesmos. Humildade não é uma opção, é nosso dever como cidadãos. Mas fica muito difícil sermos humildes nos importando tanto com status e opinião alheia.

Aqui se você lava o chão de um estabelecimento você é menos importante do que um gerente, se você serve mesas ou é recepcionista, você é infinitamente inferior a uma secretária. E isso se deve basicamente ao abismo social que estamos vivenciando.

Esse é o poder do orgulho. A inveja e o controle sobre o mais fraco que foi ensinado que precisa ser humilde, abaixando sua cabeça a qualquer coisa que alguém numa posição mais elevada disser.

Em muitas culturas o quanto dinheiro você faz/tem define quem você é. Você tem dinheiro? Pode ser feio, chato, um cara estranho ou qualquer coisa ruim, o seu dinheiro faz com que tudo isso seja tolerado.

Todo mundo compartilha no facebook coisas relacionadas a humidade, que bombeiros e não BBBs são heróis, mas tratam com desdém aqueles que coletam o lixo na rua, os motoristas de seu ônibus, faxineiros que deixam suas empresas limpas e menosprezam aqueles que fazem a sua comida.

Agora me diz se você se sentiria confortável numa empresa suja? Sem motorista de ônibus você chegaria no trabalho?

Uma empresa gerida por um incompetente vai à falência; uma loja limpa por um incompetente perde seus clientes; uma sociedade sem educação e humildade perde sua cultura e se torna um país como o Brasil onde respeito e amor próprio são transformados em ódio e orgulho. O que se faz no caso das empresas? Troca-se um funcionário “defeituoso” e problema resolvido, não é?

Por que então não substituirmos essas peças defeituosas em nossa educação e valores morais em prol de uma nova geração educada e humilde, que conhece o valor das pessoas?

Um gerente que não respeita seus funcionários por considerá-los inferiores aumenta esse abismo social, e continua traumatizando uma sociedade que poderia ser melhor sem um abismo social.

Humilhação é o ato de ser tornado humilde. Humilhação em nosso vocabulário é passar vergonha, algo ultrajante e que todos devemos lutar contra. Mas apenas pense, a humilhação de verdade vem pelo nosso bem. Seja arrogante e a vida te humilha, seja porque você não sabe o que deveria saber, seja porque você fez algo errado.

Errar é humano, aceitar isso é ser humilde. Seja você ou um outro errando, aceite. Todo mundo erra.

Entender isso é uma mudança que demora gerações para acontecer de forma plena com o efeito correto, mas será muito bom para todos nós, e nossas crianças e as crianças delas.

 

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Serviço de inutilidade pública

Hoje em dia todo mundo tem um perfil de Facebook.

Eu também tenho, e se você está lendo isso, tem uma boa chance de ter vindo pelo Facebook.

Mas o que eu gostaria de chamar a atenção é para esse vídeo aqui onde num futuro distante somos seres fofinhos que vivemos atrás de uma tela e não fazemos nada além de seguir as ordens do sistema de som/vídeo e observar futilmente uma linha do tempo.

Pode soar familiar, não é? Pois é quase a realidade onde vivemos atrás de computadores conversando por chat com pessoas que estão ao nosso lado na mesma sala, seguindo aquilo que a moda manda, seja isso roupa/estilo/comportamento.

Hoje em dia temos um novo tipo de cidadão. Que não é um cidadão comum. É uma figura universal que está em todos os cantos do globo, não só no Brasil ou nos EUA, ele está em qualquer lugar onde há acesso à internet.

Quem é essa figura? Esse é o cidadão Facebookeano, que posta/curte/comenta/compartilha em ritmo frenético muitas vezes agindo por puro reflexo, por não pensar, ou por achar que está fazendo algo útil (e raras vezes pode sim fazer algo útil).

Quem não tem um amigo ou familiar que está constantemente compartilhando

  • Fotos/textos com frases fodonas
  • Gatinhos/Filhotes
  • Bacon
  • Memes
  • Gente precisando de ajuda
  • Desaparecidos
  • Boatos da era pré-orkut
  • Brincadeiras do tempo do orkut (sem ofensas)
  • Imagens de animais mal-tratados
  • Imagens de criminosos procurados

Acho difícil ter um perfil no facebook com amigos que não façam nada do que citei acima. Eu tenho meus rompantes de sair curtindo e compartilhando uma série de fotos que aparecem na minha timeline, como quase todo mundo que sigo por lá.

O problema é o quão útil são essas informações. O cidadão facebookeano é uma criatura universal e inocente. Não faz diferença se ela veio da Europa, Asia, África, Oceania ou das Américas. Se acredita ou não em divindades, ela sempre acredita estar fazendo um bem ao mundo compartilhando algo que disseram que ela deve compartilhar.

A quantidade de lixo tem aumentado, o que mostra que a capacidade de raciocínio está caindo. A mídia em massa tem poderes fascinantes sobre uma população, se usada inadequadamente pode gerar cultura em massa, ou em casos menos nobres, entretenimento em massa. Um povo muito entretido acaba sendo um povo distraído.

E para um povo distraído, não há nada além de uma telinha divertida à sua frente, enquanto há um mundo lindo (ou sombrio) que pode ser explorado (ou mudado) à sua volta.

 
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Publicado por em setembro 25, 2012 em Uncategorized

 

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Internet e depressão

Esse post foi originalmente publicado em 30 dezembro de 2010, por isso as referências ao “passado”.

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Momento de reflexão. A depressão deve ter sido a doença da década, como a AIDS foi da década de noventa. Ela de fininho, ou talvez não tão de fininho se espalhou como uma epidemia, quase todo mundo conhece alguém que tem ou teve depressão. Ainda que você não perceba, uma pessoa ao seu lado pode sim ter depressão e você nunca reparou.

Digo isso porque estou pensando, eu conheço pelo menos 10 pessoas que tem ou tiveram isso e não é algo fácil de se lidar. Tenho algumas teorias do porque ela se alastra tão rapidamente, mas nada que possa ser provado, já que não sou um especialista.  

A Internet parece ter um poder de estimular esse comportamento depressivo, propagando a palavra da infelicidade constantemente. Ou talvez seja só a Internet unindo essas pessoas que tem essa característica em comum. Afinal, não sigo no twitter ninguém com quem não me identifico. Então depressivos que tenham comportamentos similares, acabam por parar nos mesmos tipos de sites, e acabam por se conhecer.

Depressivos se atraem e se socializam. Creio que alguns para afogar suas tristezas, outros para tentar se animar e outros só para botar pra fora para se sentirem melhores por algum tempo, mas continuando sempre na mesma. Quando essas pessoas se socializam, muitas vezes melhoram e até se animam por uma temporada, porém invariavelmente tem suas recaídas.

Bom, sei lá, eu estive pensando nisso esses dias pois algumas pessoas com depressão são bem próximas a mim, então como um aprendiz de pensador que nada sabe, resolvi pensar no assunto para tentar aprender algo.

Um cara postou no twitter comentando sobre o conceito de hivemind. Uma enorme mente coletiva que pensa igual, age igual, e acho que a internet tem feito isso com as pessoas. Uma união que se inicia por meros pensamentos similares, que se fundem, se adaptam e se propagam.

Ser deprimido/bipolar está meio que na moda, então querendo ou não isso se alastra, fica conhecido e cada vez mais as pessoas parecem achar que estão deprimidas. Pessoas que já não eram muito felizes se sentem piores, entrando em depressão por N motivos.

Algumas pessoas que conheço e estão num estágio mais brando de depressão (que seria aquela em que é só um estado de espírito e que não exige remédios para o tratamento) não tem acesso à Internet.

Vejo essas pessoas se curando com muito mais facilidade, são pessoas que estão com problemas sérios na vida, mas que ainda tem algum poder para mudar a origem dos seus problemas para retornar às suas rotinas como pessoas comuns.

Um certo amigo costumava dizer que a Internet era a sua Cachaça, e que ele bebia para se alegrar e esquecer os problemas do dia a dia. E acho que no fundo todo mundo usa a Internet para isso, encher seu cérebro de informação e alegria, ou qualquer coisa estimulante. Mas aos poucos elas estão se “corrompendo” e viciando não apenas em informação e diversão, estão encontrando problemas e explicações ou comparações que tornam suas vidas menos felizes.

Essa conexão com a internet pode te levar a pessoas maravilhosas que alegrarão, te ensinarão muita coisa nova que te tornará uma pessoa melhor. Mas lembrem-se que também podem te guiar ao público que acha que problemas são legais, ser diferente de um jeito ruim e depressivo é legal.

Graças a deus não tenho depressão clínica, mas pareço ser um ímã de depressivos, pois nesse ano conheci algumas pessoas com esses probleminhas, eu as ajudo de bom grado quando posso. Acho que é parte de minha natureza ajudar pessoas independentemente do problema.

Bom, sei lá, só estava divagando sobre um assunto e acabou ficando grande ^^

Um bom ano novo para vocês, livrem-se da depressão, desconectem-se da colmeia e sejam felizes vivendo na vida real.

 
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Publicado por em setembro 13, 2012 em Uncategorized

 

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Um começo

Olá,

Pela primeira vez em tempos resolvi parar para escrever algo. Já faz muito tempo desde minha ultima reflexão pública.

Reflito muito, penso mais ainda, porém a falta de atitude para botar isso para fora é quase uma marca registrada.

Resolvi fazer um blog para tentar me comprometer em escrever mais, com sorte melhorar minhas habilidades de escrita e quem sabe ficar um pouco mais sábio, já que para criar textos melhores, é necessário pensar e refletir, estudar e meditar o assunto.

E para começar com meu blog, reciclarei os textos das minhas notas do Facebook, já que comecei a botar meus pensamentos para fora usando o bom e velho App Notes, que mais ninguém usa por ficar escondido.

Sem mais ^^

 
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Publicado por em setembro 12, 2012 em pensamentos, Uncategorized

 

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