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Arquivo mensal: março 2013

Arrogância

Vamos falar de algo que sempre me incomoda no brasileiro.

Eu meio que falei sobre isso no outro texto sobre humildade, mas agora focarei um pouco no outro lado da moeda.

O maior problema dos brasileiros é essa noção super errada que dinheiro e/ou função definem caráter e valor da pessoa.

Se uma pessoa tem menos dinheiro que você, ela é pobre e você se sente ameaçado com ela por perto, ou ela não interessa para você. Se ela tem mais dinheiro ou fez algo que você nunca fez, ela é arrogante e exibida se demonstra fazer algo que você não faz.

Brasileiros são arrogantes e tem um complexo de inferioridade que dá medo. Isso e a nossa superficialidade natural são o melhor combustível para o abismo social que assola esse país.

Hoje encontramos esses seres em qualquer lugar, qualquer empresa ou qualquer igreja. Independe de cor de pele e origem. Vejo isso quase todo dia. Só não vejo todo dia porque sou um alienado e não interajo muito com gente durante o dia.

Bom, vamos ao ponto antes que o texto fique demasiado longo e tedioso como os outros.

O meu ponto é que não importa se a pessoa é rica, pobre, se é porteiro ou presidente, todos somos um conjunto de carne, ossos e fluidos que pensa e tem funções em sociedade. É muito comum pessoas da limpeza serem vistas como seres inferiores que não estudaram, que não tiveram oportunidades ou que são preguiçosas e não quiseram “ser alguém” na vida.

Essas próprias pessoas se veem como pessoas de classe inferior e mal olham para as pessoas para não as incomodar.

Pessoas que falam um outro idioma ou saíram do país são vistos como seres de sangue azul. Isso é ridículo, qualquer um pode aprender se quiser. Se alguém falar algum termo em inglês perto de você, você não precisa se sentir ofendido, é uma forma de se expressar e não quer dizer que a pessoa se sente superior, e sim que ela conhece um termo numa língua que é mais eficiente do que os nossos para expressar aquilo.

Se você pega alguém importante, como um presidente de alguma grande empresa e dá um banheiro para ele limpar, qual não seria a cara de nojinho que ele faria? Ele limparia a sujeira dos outros de cabeça erguida como nossa faxineira?

Cada um tem sua função, e cada um deveria ter orgulho dela, mas sem jamais desmerecer o trabalho de outros.

Um pedreiro na maioria dos casos é visto como um Zé ninguém aqui que faz “trabalhos brutos porque é ignorante”. Mas se pegar esse mesmo cara e levar para o Canadá, ele fará rios de dinheiro e será super respeitado, porque a sociedade de lá não tem muita gente interessada em trabalhos braçais.

Para quem não acredita, dá uma olhada nesse link que aponta para um divertido texto do Izzy Nobre, vejam o tópico número 6.

Então por que o preconceito? Esse comportamento acontece em qualquer lugar e não é só com faxineiros, se alguém é supervisor, coordenador ou qualquer outra coisa, vemos o comportamento se repetindo e a discriminação rolando solta.

Acho que é um problema com complexos de inferioridade. Se sentem inferiores até poderem dar um passo e compensar a frustração que sentiam, alimentando o ciclo vicioso para todo o sempre.

É possível ser uma pessoa humilde ou um crápula independentemente da quantidade de dinheiro que você tem, seu cargo, etnia ou escolhas da vida.

Sejamos todos melhores, só depende de nós vencer o preconceito.

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Fracos e oprimidos

Nós brasileiros temos um histórico horrível de opressão nos sufocando.

Bom, não apenas o passado, mas no presente e creio que um longo futuro ainda por vir. E digo isso porque observo nosso comportamento e nós somos facilmente manipulados.

Não sei se o que falta é uma educação melhor, melhores políticas sociais ou o que quer que seja. Mas um fato é que brasileiro age como quem está acostumado a padrões ruins e não faz nada contra isso.

Mas talvez não o faça simplesmente porque é incapaz de ver que está errado, ou talvez porque seja acomodado.

O comodismo brasileiro é mítico, somos preguiçosos alienados e sem noção da força que podemos ter quando unidos.

Mas acho que o principal ponto é que somos todos pressionados por uma força, nesse caso estou falando que é a opressão, mas pode ter uma palavra bem melhor. Somos empurrados para baixo constantemente, seja por um poder maior, ou por um movimento silencioso que domina nossas mentes desde crianças.

Seja um movimento silencioso, planejado por qualquer um que esteve ou está no poder, ou qualquer pessoa que tenha criado um entretenimento em massa para o povo, ou espalhado conceitos limitados para a população.

Acho que todo mundo já ouviu a expressão “em time que está ganhando não se mexe” e outras parecidas. Mas pensamentos como esse estão e sempre estarão errados.

Acho que sempre é possível melhorar alguma coisa de alguma forma. É lógico que sempre haverá limites que não podem ser ultrapassados, porém se não tentarmos, como saberemos?

E muitas vezes o limite existe exatamente por estarmos tentando da forma errada.

Um exemplo que posso citar são os processadores de computadores pessoais. Quase que desde sua criação eles seguiram o mesmo conceito: “um processador com clock mais rápido fará as tarefas mais rapidamente”. E assim seguiram por muitos anos até chegarem na faixa acima dos 3 gigahertz, onde os processadores esquentavam demais e os dispositivos de resfriamento ficavam cada vez mais caros, complexos e ineficientes.

Então resolveram aplicar um conceito diferente de usar as áreas do processador que estavam ociosas para executar outras tarefas do trabalho simultaneamente e isso evoluiu para os processadores com diversos núcleos em velocidade mais baixa, que fazem tarefas de forma muito mais rápida e eficiente pois trabalham em conjunto, além de resolver o problema do calor.

Isso é um exemplo de como uma mudança de ponto de vista abriu novos horizontes.

Então por que temos essa tendência a fixarmos ideias e conceitos que nos são passados como imutáveis? Isso pode se aplicar em tantos lugares. Você mora num buraco e está tudo bem para você. Mas se quisesse, poderia morar em um lugar completamente diferente e melhor.

O esforço para procurar uma nova moradia pode ser cansativo,as a recompensa pode te dar mais conforto, mais horas de sono e menos tempo preso num trem cheio ou trânsito.

Ou você pode passar a vida inteira fazendo um trabalho que acha divertido e que pague bem, até você chegar perto do fim da sua vida e ver que se em vez de trabalhar com computadores, você seria muito mais feliz na psicologia, pois tinha um dom natural para isso.

Somos criados para acreditar que um mundo limitado é melhor, sermos limitados é melhor, pois onde não há mudança, não há risco.

A principal mudança que gostaria de ver nos brasileiros e em mim mesmo é esse despertar de verdade para o fato de que podemos nos mexer, nos unir e ter uma força de verdade, fazer valer nossa voz.

Vejo alguns exemplos de união que tem muita força. Veja as 1,6 milhões de assinaturas que coletaram contra o Renan Calheiros.

E se organizássemos uma ação coletiva com esses 1,6 milhões de pessoas em vez de entregar um abaixo assinado? Poucas pessoas foram entregar as assinaturas, o que aconteceria se metade dessas pessoas fossem entregar pessoalmente essas assinaturas?

Do jeito que aconteceu, 1,6 milhões foram calados porque o poder ativo usou uma ferramenta mais poderosa, que é a manipulação da imprensa e/ou o direito de ignorar a manifestação pública.

E por que os 1,6 milhões ficaram calados diante disso? Comodismo, não é?

O que vejo acontecer em casos assim é que as pessoas acomodadas fazem um esforço porque alguém incentivou, e se for infrutífero, elas se calam e desistem, acham que foi inútil e nada mudará. Com isso não tentam mais nada.

Acho que é um exemplo da opressão de que falei. Nós mesmos estamos nos segurando porque fomos ensinados a sermos omissos, sem poder. Oprimidos.

Se você quiser, o céu é o limite? Não, nem mesmo o céu será seu limite, os astronautas estão aí para provar isso, não estão?

Mude sua mente, descubra o que você quer fazer e tente até que seja capaz de fazer. Una-se a pessoas com ideais similares, estudem a barreira a ser destruída, em vez de ser a vítima de uma opressão silenciosa e invisível, seja você aquele que a empurra de volta.

Livre-se daquilo que te prende. Lute contra a opressão do mundo.

 
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Publicado por em março 11, 2013 em comportamento, pensamentos, sociedade

 

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