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Conclusão sobre a Revolução Coreana

A Revolução Coreana, uma das menos conhecidas e mais detratadas dentre as experiências socialistas, constitui uma evidência da pluralidade de vias de conquista do poder e do estabelecimento de regimes revolucionários do século XX. Para sua compreensão, há alguns elementos que devem, obrigatoriamente, ser levados em consideração. Inicialmente, há a dimensão geopolítica, pois se trata do único caso de uma nação pequena totalmente encravada entre grandes potências. A busca de autonomia, neste sentido, representa um elemento vital, tanto no tocante aos adversários como aos grandes aliados (China e URSS). Outra questão é que, em função da divisão e da guerra (civil e internacional), o regime da RPDC só pode ser plenamente compreendido levando em conta a existência de outra Coréia, a do Sul, capitalista, em suas diversas fases.

Além dos aspectos político-diplomáticos, como a busca de autonomia, o relativo isolamento do país e a opacidade do regime, a extrema militarização do Estado e da Sociedade são elementos resultantes de tal situação. Não fosse o desenvolvimento de trais características, a Coréia do Norte teria sofrido o mesmo trágico destino da Alemanha Oriental, que foi usada como moeda de troca pela URSS durante o governo Gorbachov.

Uma outra característica histórico-cultural é a persistência de elementos de uma matriz civilizacional asiático-confuciana, embora modernizados. Todo estudioso deveria levar em conta que, além de socialista, se trata de um país asiático em que o nacionalismo tem raízes históricas profundas e constitui, igualmente, um instrumento político cultivado pelo regime. A RDPC é um dos Estados mais nacionalistas do mundo, mas um nacionalismo defensivo e voltado para a estabilidade interna, e não agressivo como o das grandes potências. O Zuche estabeleceu os elementos institucionais de tal política, que foram ainda mais aprofundados após o fim da Guerra Fria.

Trata-se de um sistema socialista socialmente inclusivo e igualitário, apesar dos privilégios da elite dirigente (como qualquer lugar). Afinal, o marxismo não possui apenas um viés ocidental e, inclusive, avançou e evoluiu mais nas regiões coloniais e semicoloniais. A militarização (só superada pela de Israel), por sua vez, é decorrente de uma ameaça permanente de guerra, menos por parte da Coréia do Sul e mais dos EUA, que mantém um estado de tensão há setenta anos, com grandes efetivos e armas estratégicas na fronteira intercoreana. As origens da revolução remontam a guerrilha antijaponesa e a ênfase securitária foi reforçada pelo trauma da guerra total de 1950-1953, contribuindo para o ethos de Estado Caserna da Coréia do Norte.

Um elemento muito explorado é a questão do culto à personalidade dos lideres, e até o conceito de Monarquia Confuciana. A tentativa sensacionalista de buscar analogia com Stalin carece de fundamento histórico e político. Como foi visto, a preocupação com a continuidade sucessória emergiu pouco depois da Guerra da Coréia, quando ficou claro que Kruschev desejava mudar a matriz do socialismo coreano. Isso levou ao Zuche e, com as dificuldades que emergiram no final dos anos 1970, à ideia de sucessão familiar e o apoio em práticas políticas tradicionais da Coréia. Foi um caminho longo e difícil para que o Partido e o exército aceitassem tal política.

A segunda sucessão seguiu a mesma lógica. Mas a ideia de um poder unipessoal pode ser enganosa. A recorrente necessidade de reforçar a figura dos líderes históricos, estranha à nossa cultura política, talvez demonstre não um poder real, mas a busca de unidade. O país é urbano-industrial há sessenta anos e o regime é republicano, com diferentes e complexos centros de poder e canais burocráticos independentes entre si. O líder, que adquire uma dimensão sobre-humana na narrativa cotidiana, aparece como uma síntese e personificação da nação. Muitos temem que a linhagem sucessória familiar possa gerar falta de iniciativa ou mesmo uma crise, com uma possível perda súbita do dirigente. Não há resposta para isso e todas as previsões até agora, falharam. A RPDC, assim, representa também um desafio teórico.

Por vinte anos, o país viveu momentos dramáticos, com os militares ocupando uma posição prioritária, o Songun. Kim Jong Il governou em estado de emergência, com ameaças externas e a economia privada paralela sendo tolerada como um mal menor. Quando a situação melhorou (e sua saúde piorou), ele teve de injetar vida nova no Partido para forjar mecanismos institucionais coletivos para a ascensão de seu filho mais jovem ao poder. Não poderia ser apenas um pacto entre um líder fisicamente debilitado e um grupo de generais empoderados. E Kim Jong Un, semelhante a seu avô fisicamente e no estilo ativo e informal, imprimiu dinamismo ao país. O Partido e a Constituição (que formalizou o objetivo da RPDC de se tornar potência nuclear) foram reformados em 2012, com a substituição de 40% dos quadros dirigentes. A política Byungjin associa a construção de um moderno sistema de dissuasão (bomba atômica e mísseis) com o desenvolvimento da economia, dentro de uma estratégia modernizadora.

O caminho a seguir, todavia, não está claro, pois existe uma economia híbrida, com áreas de mercado ad hoc dentro de uma economia socialista. sempre que pode, o regime tenta controlar as primeiras. Todavia, o elemento decisivo talvez esteja na situação internacional e na formação da população. A economia mercantil necessita do Estado socialista e dificilmente teria condições de romper o equilíbrio informal, pois toda a nação vive sob ameaça. Além disso, a população norte-coerana não demonstra viver uma “lavagem cerebral” permanente, como lembra Lankov (2013), bem ao contrário. A opacidade do regime e a segurança cibernética são mecanismos defensivos plenamente racionais. É preciso aprender a decifrar os signos sem as lentes de nossa cultura niilista. Mas, de fato, o Estado e a sociedade Carecem de maior conhecimento mundial, pois se hiperespecializaram em seu entorno geográfico e no jogo das grandes potências.

As sanções ocidentais não lograram qualquer dos seus objetivos, porque a economia não é globalizada, e as referências socialistas se assemelham mais às de Cuba do que as do Vietnã e da China, onde o capitalismo não apenas coexiste materialmente, mas começa a mudar a mentalidade do povo, especialmente das novas gerações. A sinceridade, a simplicidade e até mesmo certa ingenuidade dos norte-coreanos, em geral, estão associadas à enorme força de vontade, elevada autoestima, espírito de sacrifício e orgulho do país. Algo quase surrealista, quando visto sob o prisma do ultraindividualismo da nossa sociedade. Enfim, a Coréia do Norte desafia a capacidade de compreensão e esperamos que nosso breve estudo auxilie na superação de estereótipos e no avanço do conhecimento.

 
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Publicado por em novembro 30, 2018 em Uncategorized

 

Sobre Bigodes e força de vontade

Novembro está quase no fim, e algumas pessoas que me conhecem podem estar horrorizadas com minha bizarra aparência bigoduda.

Uns três anos atrás eu conheci o movimento do Movember. Eles promovem a conscientização do homem sobre sua saúde usando essa campanha dos bigodudos. Mustache, bigode em inglês, ou simplesmente “Mo” (como dizem os australianos) + November = Movember. Durante o mês os participantes divulgam sua imagem bigoduda para arrecadar fundos que serão utilizados por instituições pró saúde.

Homem em geral precisa ser constantemente lembrado de que não é imortal. Uma doença sempre pode nos levar dessa terra, e a melhor forma de evitar isso é cuidando da saúde e se prevenindo. Visite seu médico com frequência, faça um checkup pelo menos uma vez por ano, cuide da alimentação e pratique alguma atividade física sempre.

Um dos focos é o câncer de próstata. O mais importante de tudo é não ter vergonha de fazer o exame de toque. É algo incômodo, é algo invasivo, mas é algo que está te ajudando a identificar e se proteger de uma doença terrível.

Homem é um bicho muito macho, másculo, <<insira aqui seu adjetivo favorito>>, porém é também muito preconceituoso, teimoso e acha que sua honra será diminuída apenas por fazer sua obrigação de cuidar de si mesmo. Cuidar da aparência, cuidar da saúde, tudo isso é coisa de “afeminado”, por isso eles não o fazem.

Quanto mais pessoas espalharem a ideia de prevenção e diagnóstico, mais pessoas serão salvas todos os anos.

O que realmente me empurrou de vez a seguir essa campanha nesse ano e usar meu ridículo bigodão que me faz rir toda vez que me olho no espelho foi o fato de que em Junho eu perdi meu padrinho para essa doença silenciosa que só se anuncia quando é tarde demais.

Havia alguns anos que eu não falava com ele, e fiquei sabendo muito tarde sobre seu falecimento, mas sempre levei suas lições de vida comigo.

Quando eu era mais novo, costumava passar as tardes na loja dele, e ele costumava dizer para mim algo como:

Aprenda a se conhecer, e nunca esqueça o valor que você tem, pois você precisa saber do que é capaz.

Podem tirar tudo de você nessa vida,as enquanto não tirarem sua vida, você pode se levantar e continuar em frente, por mais que coisas aconteçam contigo.

Um exemplo é que minha mulher pode pedir o divórcio, ficar com o filho, os carros, a loja e a casa. Posso parar embaixo da ponte sem onde ficar, mas ninguém jamais será capaz de tirar de mim o que eu sou, um batalhador.

Posso ser privado de tudo, mas logo conseguirei um novo trabalho, uma nova casa e logo estarei bem de novo, pois sei do que sou capaz e vou atrás do que quero.

Ele era o tipo de pessoa que fazia o que fosse necessário ser feito. Sempre muito esforçado, sempre com um exemplo de perseverança.

Não posso dizer que o conheci muito bem, mas sempre poderei falar sobre essa lição que ele me ensinou.

Então sejamos perseverantes, façamos a mudança em nós mesmos, cuidemo-nos e sejamos felizes e saudáveis.

 
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Publicado por em novembro 22, 2013 em Uncategorized

 

Horda

Mais um post da série “Chovendo no molhado com um texto muito longo”. Mas queria botar pra fora minha opinião.

Quebra-quebra, histeria, bagunça e discriminação em geral são rotina

Pessoas são inteligentes, então por que algumas coisas não dão certo, em especial quando temos grupos de pessoas?

No primeiro filme MIB há uma cena com um diálogo parecido com isso:

“J. Mas por que não avisar as pessoas sobre os aliens? Elas são inteligentes.”

“K. Uma pessoa é inteligente, uma multidão é um bando assustado e perigoso.”

Todo mundo já deve ter ouvido “Dê poder a um homem, e você descobrirá seu verdadeiro caráter”. Então o que acontece caso tenhamos um grupo com o poder dos números? E se esse pessoal forma um grupo assustado como dito no filme? Um grupo assustado é um grupo alienado também.

Quando há um grupo, por causa dessa mentalidade, há um comportamento similar dos membros seguindo o instinto da maioria. Com liderança adequada é possível coordenar os atos para fins bons ou ruins. Os noticiários estão provando que os grupos cada vez mais estão se voltando a algo errado.

Nós brasileiros somos um povo sentimental, de comportamento explosivo, super preguiçoso quando o assunto é pensar, somos oportunistas, também há essa passividade e além disso, ainda tivemos muitos anos de negligência do governo para com a educação. O resultado prático são os Black blocs, invasão no instituto Royal, pessoas aplaudindo idiotas e outras coisas que vemos nas diariamente.

Seja um ato puramente impensado ou uma manipulação feita por algum outro grande poder, o resultado é um atestado de que coletivamente estamos burros, seguindo a manada e não pensando nada no futuro de nossas ações.

Vemos isso todos os dias no Facebook, com o infinito compartilhamentos de fotos que causam indignação e queimam o filme de pessoas com fatos escandalosos, muitas vezes mentiras, ou sem uma fonte confiável, que não ajuda em nada a manter o povo raciocinando.

No caso dos Black blocs, ou temos um bando de baderneiros que só querem quebrar e fazer bagunça, ou temos alguma grande empresa (mídia, talvez até governo) fazendo bagunça para queimar o filme do movimento de protestos moveu o país no meio deste ano. Pois assim o povo não se manifesta por não querer se misturar com baderneiros, correndo o risco de ser preso.

Recentemente tivemos o caso do instituto Royal. Meus amigos ativistas dos direitos dos animais que me perdoem, mas se querem fazer algo, usem a cabeça antes de agir. Não sou contra denúncias e protestos, mas quebra-quebra e roubo de cobaias usando a alegação de que estavam torturando bichos é de uma burrice infinita. Existem meios legais de fazer denúncias e agir, sendo que o jeito mais adequado para se agir é investigar para descobrir o que está acontecendo antes de qualquer coisa.

Vi alguns vídeos (não todos) da invasão e não vi as barbaridades que alegavam ser cometidas com os animais em lugar algum; vi apenas a barbaridade dos protestantes quebrando tudo por causa de cachorros. Não vi ninguém levando os ratos pra casa também, e pior ainda, ouvi dizer que se não nesse caso, em outra invasão eles lembraram dos ratos, porém os soltaram no mato. O dano ao meio ambiente e aos bichos nesse tipo de caso não pode ser reparado. No melhor dos casos as cobaias morrem por não ter anticorpos para lutar contra o meio ambiente. No pior dos casos você está lançando criaturas doentes ou geneticamente alteradas no meio ambiente, alterando o ecossistema de uma forma totalmente descontrolada e irreversível.

E no fim, tudo isso foi apenas uma manobra política da pessoa para ficar conhecida e ter uma base que a apoiará cegamente quando ela quiser se eleger. Gente assim é um câncer social, pois estão usando pessoas facilmente alienáveis para fingir lutar por alguma causa que desconhece completamente.

O ato de refletir e raciocinar não é difícil, porém requer prática. A capacidade de reflexão parece ser cada vez mais reduzida quando se está em um grupo conforme o tamanho do mesmo aumenta. Quanto mais pessoas exercerem sua capacidade de reflexão, mais ações eficientes para resolver os problemas serão tomadas.

E o comportamento acontece também no mundo digital, como dito anteriormente, aprendam a analisar o que veem no facebook. Reflitam se parece verdade, se é lógico, se tem fontes confiáveis. Pois se não há fontes, vídeos ou qualquer detalhe importante, pode ser apenas uma manipulação em massa. Se você deixa de fazer esses passos, você não está sozinho, mas pode mudar essa rotina.

Então se destaque, se esforce, pense, discuta e convença outros a fazer o mesmo. Se somos uma massa, que sejamos uma massa inteligente, não uma simples massa de manobra na mão de quem tem poder. Há injustiças, notícias ruins e polêmicas todos os dias, mas devemos aprender a lidar com o que vemos de modo racional e prático sempre.

Outro evento recente envolveu mais um dos nossos queridos gênios do humor inteligente de hoje em dia. Parece Danilo Gentili está sendo processado por usar a imagem de uma pessoa indevidamente e por ter feito uma piadinha “inocente” que abalou a vida da “vítima”. O problema da piada (além de ser ruim) é que além da piada, ele mostrou a foto da pessoa, expondo a vida dela.

Minha opinião é que se você faz uma piada que denigre qualquer pessoa, gênero, ascendência ou classe social, você está não apenas inferiorizando, como propagando a idéia de que o alvo da piada é inferior. Quanto mais uma ideia for repetida, mais ela se torna comum, sendo assimilada ainda que de forma involuntária e replicada.

Uma boa forma de se certificar que uma piada é ou não saudável é se perguntar se ela não causaria algum tipo de desconforto caso você a conte para um total estranho.

Hoje muita gente defende o tipo de piada que foi feita porque ele é humorista, faz humor ácido, humor politicamente incorreto, inteligente, portanto pode falar muita merda sem se preocupar. Mas na prática isso é errado porque vivemos em sociedade. E toda sociedade pode e deve mudar, os valores mudam sempre, as opiniões também. Piadas super engraçadas de um passado podem ser piadas de péssimo gosto para o alvo hoje em dia.

Outra coisa que eu costumo ver, é a justificativa desse tipo de comportamento usando a expressão “antes todo mundo fazia isso e não tinha problema” é o mesmo que seguir o fluxo numa horda. Você não precisa de um motivo de verdade, apenas a justificativa de que outras pessoas faziam isso antes de você para fazer o que quer.

Apenas lembrando que é mais ou menos assim que a horda age, um faz, o outro repete porque acha que pode, já que o primeiro fez, e mais outro segue, uma lógica circular que justifica a estupidez usando a própria estupidez, espalhando a bagunça para todos os lados.

O texto está super longo, então deixarei os dois adendos como opcionais. Portanto, já que são complementos. Mas agradecemos a preferência caso ainda queiram ler.

Um pequeno extra sobre humor.

Um argumento para isso pode ser consultado na Wikipédia, no artigo que fala sobre Humor há a citação sobre “teorias do humor”. Entre essas teorias há uma que diz que uma das formas de se fazer humor é necessário que haja um instinto de superioridade sobre um indivíduo ou uma situação. Acho que o humor que faz mais sucesso no Brasil é esse.

No passado todo mundo falava e fazia várias piadas sobre negros, mulheres e quaisquer minorias. Negros sempre foram considerados inferiores, e quando tiveram sua liberdade, aqueles que não os consideravam semelhantes passaram a praticar o racismo, e não apenas o racismo direto, como as piadinhas de que negro é burro, negro é isso, negro é aquilo. Mulher não tem que trabalhar, e muito menos votar, são cidadãs de classe inferior. Tem é que ficar em casa, criar crianças, cozinhar, faxinar e estar linda e perfumada para seu marido de noite.

Acham isso absurdo hoje em dia, mas não esqueçam que muitos anos atrás, achavam essas “piadas” engraçadas. É por isso que devemos nos policiar hoje em dia. As sociedades mudam, as pessoas mudam. O padrão de humor está mudando, as pessoas estão mais sensíveis, mas isso não quer dizer que é o fim do humor, e sim que é necessário criar novas formas de humor.

Acredito que as pessoas sejam naturalmente “más” no ponto que elas não querem saber de muita coisa, estão mais preocupadas com elas mesmas e sua satisfação pessoal apenas. Se sentir superior em relação a outros, ser o melhor em uma atividade é coisa que quase todos nós queremos.

Sobre ciência e o uso de animais.

Eu sou a favor de testes em seres vivos desde que sigam padrões e que o façam do jeito correto. O bicho não precisa sofrer dor por causa dos exames. Tortura, vivissecção, desmembramentos e outras coisas não acontecem a não ser na cabeça de quem é manipulado a acreditar que acontecem. Não é assim que a ciência trabalha.

Pois uma coisa que acontece muito é o pessoal confundir exames em animais com atos de sadismo puro. O principal motivo para se executarem exames em bichos pequenos é que o ciclo de vida deles é muito curto, por isso eles podem nos mostrar o que pode acontecer como consequência do uso prolongado de medicamentos e produtos químicos em geral. Eles não vão ficar amputando membros ou fazer vivissecção do bicho só porque deu na telha.

O mesmo tipo de teste com humanos levaria muito mais tempo porque nosso organismo vive por muito tempo. Em vez de ter estudos completos em 10 anos, precisaríamos de pelo menos uns 60 anos para validar cada substância.

Uma maneira alternativas é usar tecidos cultivados in vitro. O problema de usar esse tipo de coisa são os religiosos e outros que pregam que a vida humana é sagrada e não podemos exercer testes com fetos, células tronco e outros materiais orgânicos. Se já vimos esse tipo de bagunça só por causa dos beagles, imaginem o tipo de zorra que não fariam caso soubessem que algum instituto realiza testes com seres humanos.

E para encerrar o assunto da ciência, vou falar sobre o método científico.

O método científico é uma maneira de estudar criada há muito tempo que visa observar um fenômeno, elaborar uma teoria que o explique, aplicar testes que comprovem ou refutem a teoria e então repetir o processo até que não haja dúvidas do resultado.

Eles precisam usar essa lógica para validar componentes químicos em tudo, desde seus remédios, cosméticos, a até a tintura de roupas, comida e quaisquer coisas que usamos no dia a dia. Não há experimentação sádica, a menos que o dito “cientista” seja apenas um sádico sem vergonha.

Inclusive as empresas que dizem que não testam seus produtos em animais pagam para outros laboratórios em outros países para que façam os testes. E ainda que não testem o produto final, todos os componentes do produto final já foram sim testados em animais no passado ou em outros lugares do globo.

 

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Machismo, feminismo e respeito

Bom, como de costume, digo que não sou especialista no assunto, apenas expresso minhas opiniões nesse humilde blog.

Vamos começar com a minha definição dos termos que uso nesse texto.

O machismo é o tratamento padrão que aprendemos a dar para as pessoas em nossa sociedade. É um comportamento ilógico que discrimina pessoas baseando-se em padrões de masculinidade que alguém em algum passado distante criou. E não importa o seu sexo, se você não for tão masculino quanto o padrão prega, você é discriminado e será vítima de “sanções” ou chacota.

O feminismo é um movimento que prega o fim desses costumes imbecis e apoia o respeito às mulheres e quer para elas os direitos que deveriam ser seus desde o começo.

Existem as feministas e existem as feminazis, que caso não tenham associado pelo nome, são as extremistas irritantes que querem ditar tudo o que pode ou não ser feito pelos homens e mulheres. Basicamente essas são as feministas que mais aparecem em notícias de protestos pela mídia queimando o termo “feminista”.

Dessas eu tenho nojo. O que elas querem é inverter a posição dominante dos machos pela delas. Elas em muitos casos pregam uma ditadura de costumes para todos de forma nada igualitária, e não preciso dizer o quanto isso é errado, preciso?

E sobre o respeito, pense apenas que assim como você tem direitos, as pessoas a sua volta também tem direitos. Saber onde acaba seu espaço e começa o do próximo e agir de forma que não incomode o próximo é o respeito.

É nessas definições que me baseio ao escrever esse texto.

Não conheço outras culturas, vivo no Brasil desde que nasci e posso afirmar categoricamente que o povo brasileiro é o povo mais discriminatório que conheci até hoje. E eles não sabem o que fazem, e nem de onde vem tudo isso, porque não sabem se olhar no espelho e ver seu reflexo. Eles não são fisicamente violentos como o povo do oriente médio, mas eles massacram as pessoas psicologicamente.

Tem uma musica do Gabriel Pensador que fala sobre racismo, preconceito e discriminação em geral, a “Lavagem cerebral”. É um tipo de música que faz uma excelente crítica social e que vemos cada vez menos hoje em dia.

Nessa música ele diz ” E de pai para filho o racismo passa em forma de piadas que teriam bem mais graça se não fossem o retrato da nossa ignorância, transmitindo a discriminação desde a infância”.

Agora faça uma analogia sobre esse trecho da letra e verás que tudo que começa como uma piadinha “inocente” como aquelas sobre mulher não saber dirigir, sobre lugar de mulher ser ao fogão.

Não estou dizendo que não se pode fazer piada, e sim que precisamos aprender a filtrar o que fazemos, dizemos e o que absorvemos disso. E o mais importante, instruir aos menores sobre a diferença entre uma piada e uma opinião séria.

Se eu falar “Homem não sabe cozinhar, toda vez que precisa fazer, ou faz merda, ou precisa da ajuda de uma profissional”. Acho que qualquer cozinheiro lendo isso se sentiria ofendido. Mas é o mesmo tom que é usado em piadas sobre mulheres a vida inteira. A diferença é o ponto de vista, dessa vez é com eles. A mulher de hoje em dia nem liga muito para isso, e é isso que alimenta a discriminação, elas mesmas não sabem o abuso que sofrem.

O brasileiro adora discriminar e não percebe o que faz. É exagerado na maioria dos casos e não está nem aí para isso, pois foi assim que foi criado, é difícil mudar a educação de uma hora para a outra. Mas para mudar algo, é necessário querer dar o primeiro passo.

Então conceitos como “ela se veste como uma puta” lotam a mente das pessoas que conheço. “Ah mas ela não se dá ao respeito”, “ela não é recatada” e outras coisas só alimentam a discriminação.

Vi uma foto sobre alguém (realmente não faço ideia de quem seja) que foi no Faustão e foi chamada de guerreira por ele e foi duramente criticada no texto da imagem porque fazia filmes adultos com a namorada num passado. Bom, não entendo o ponto de vista de quem faz esse tipo de crítica. Essa raiva toda é por causa dos filmes adultos? Pelo sucesso dela na vida?

Não estou desmerecendo o resto do texto que elogia quem trabalha duro e cria uma família sem dinheiro, esses são sim heróis de fato e acho que o povo da globo é bem exagerado com esse termo de herói/guerreiro. Mesmo os tais heróis descritos no texto poderiam ser melhores, porém apenas levam vidas duras e sobrevivem. Mas isso é história para outro post.

Por que esse preconceito todo quando o assunto é mulher? Se ela é prostituta, se ela faz filmes adultos ou se veste como uma periguete ela merece menos respeito do que sua mãe, uma freira ou qualquer pessoa? Eu adoro ver gente bonita, quem me conhece sabe que nunca escondi e sempre fiz isso abertamente, a diferença é que eu não saio pensando indecências ou fazendo merda por aí só porque vejo uma pessoa excepcionalmente bonita na minha frente.

Eu sou a favor da legalização da prostituição, do direito de fazer filmes adultos e o que mais quiserem fazer com seus corpos, porque o corpo é delas, e pelo simples fato de ser delas, vocês precisam respeitar suas escolhas. E isso precisa ser legalizado e protegido.

Por quê legalizar e respeitar? Porque é um trabalho que é quase como qualquer outro, só que é um trabalho mais arriscado e perigoso do que a maioria. Elas podem pegar infinitas doenças, atenderem um maluco que vai enchê-las de porrada, ou um assassino que as matará na primeira chance, podem levar calotes entre outras coisas. Mas elas não tem direito algum porque a profissão não foi legalizada e não há como protegê-las.

Todo mundo pode ter uma opinião a respeito da situação delas, mas vocês não acabarão com esses serviços nunca porque é da natureza humana querer isso, tem que perder essa noção errada que sexo é algo ruim. Sexo não existe só para reprodução, é recreação sim. É  algo muito errado negar os direitos e discriminar só porque sua opinião é diferente, você não gosta da ideia ou porque sua religião não aprova os atos delas.

O fato é que nossa sociedade está uma bagunça danada por causa de gente que acha que tem mais direitos do que outros, e por isso insiste em mandar e desmandar. Se a pessoa se veste de forma “vulgar” mas está tranquila e à vontade com isso, quem é você para falar qualquer coisa a respeito?

A pessoa não é menos inteligente e nem menos capaz por usar roupas diferentes ou ter liberdade para fazer o que quiser do próprio corpo. E aqui está um ótimo exemplo disso. São pessoas que gostam do que fazem, estudaram para fazer algo e o fazem além de fazerem filmes. E o mais importante, atriz pornô ou não, prostituta ou não, vulgar ou não, NINGUÉM tem o direito de desmerecer, encostar e fazer qualquer coisa parecida com isso aqui. Esse cara deveria estar preso.

As mulheres são vítimas de abusos a vida inteira, e quando você pega um idiota como esses, eles tentam se justificar porque a mulher provocou, ela é bonita, por isso ele tinha que ir lá e fazer algo já que é macho. Tenho dó de gente assim, um cara desses não poderia ir pra praia nunca, ou ele estupraria todo mundo lá.

Aí você usa esse argumento da praia e a pessoa vem falar que a situação é outra, não vejo diferença alguma na situação, é um abuso. O cara enfia a mão dentro de um VESTIDO de uma mulher, então o que ele fará quando tiver menos roupa e mais corpo visível como num biquíni? Vestido curto ou não, é um vestido em uma mulher, e uma mulher não um objeto público que qualquer um pode usar.

Homens nunca recebem ordens ou manuais de instrução para o que podem ou não fazer com os próprios corpos, por que as mulheres deveriam também? E por que eles são os coitadinhos da história quando eles fazem merda?

O que entendo de feminismo de verdade é que o objetivo é exatamente a proteção contra esses abusos, os exageros, uma reeducação de uma sociedade que precisa muito aprender o que é respeito e igualdade. Não é tirar os homens do poder e colocar as mulheres no lugar como tiranas, é só respeito e igualdade.

Tudo o que precisamos para mudar essa situação é algo simples, mas que exige esforço de todos. Esse esforço é reeducar nossas crianças do jeito certo. Elas precisam aprender que existem piadas e existem coisas sérias. Saber diferenciar é a coisa mais importante.

Se você ensiná-las que todo mundo tem seu espaço, elas vão crescer respeitando esse espaço. Se você só mostrar piadas como é feito hoje em dia, a criança começa a acreditar que aquilo que vê é o que ela realmente precisa fazer. Besteiras com brincadeiras de chamar de viadinho, putinha e outras profanidades se proliferam que é uma beleza com crianças. Quem tem filho sabe como é fácil ver seu filho aprender um palavrão ou uma brincadeira errada. Eu não tenho filhos e ao menos por enquanto não desejo ter nenhum, mas eu observo vários exemplos dos filhos de meus amigos.

O preconceito só existe na cabeça de quem quer ser preconceituoso. Você pode ensinar uma criança a fazer qualquer coisa. Se você mostrar um mundo cruel, ela com 9 anos já pode ser um soldado assassino. Ensine que matar e morrer é o que precisa ser feito, e essa será a ocupação e a diversão da criança. Ensine o respeito ao próximo e o amor a educação e você terá grandes crianças que serão adultos excelentes que mudarão esse país de vez.

Elogios, críticas, opiniões divergentes e ameças de morte são bem vindas, é só usar o espacinho aí embaixo para deixar sua mensagem.

 
 

Mudanças e a imutabilidade

Um esclarecimento para quem ler esse texto: Não sou formado em psicologia, tampouco filosofia; o que direi aqui é minha opinião sobre nós seres humanos e a filosofia de vida em sociedade.

Desde o nascimento até nossas mortes temos uma constante: a Mudança.

As nossas vidas estão cheias de mudanças o tempo todo.

Quase tudo em nossas vidas muda, ambições, comportamento, relações, o mundo ao seu redor e muitas coisas que nem ao menos observamos estão mudando.

Cheguei a conclusão de que apesar de comportamentos mudarem, uma coisa não muda nunca, e essa coisa é nossa essência, nosso caráter.

Pessoas tímidas podem deixar a timidez de lado, pessoas humildes podem se transformar em crápulas uma vez que conseguem poder, pessoas brutas (ou duras, secas) podem se tornar românticas com corações de manteiga.

Mas é importante lembrar que muitas dessas mudanças são apenas temporárias ou são máscaras caindo e que revelam a personalidade real das pessoas.

Não tenho muita experiência de vida apesar de estar com quase trinta anos nas costas, mas uma coisa que aprendi foi que se observar uma pessoa por tempo suficiente, independentemente do comportamento dela, você passa a enxergar a pessoa como ela é.

Tem gente interesseira que é um amor com todo mundo até achar alguém que completa melhor suas necessidades e se torna um nojo ou some da vida das outras pessoas com quem era tão gente boa, corta amizades e exclui de sua vida quem ela passa a acreditar que não tem utilidade. Somente porque encontrou alguém que a fazia sentir mais completa. Se algo dá errado, ela volta a falar com todo mundo como se nada tivesse acontecido, recupera sua máscara.

O chato é que conheço muita gente interesseira dessa forma.

Também conheço algumas pessoas que são simples e gentis até ficarem estressadas. Quando isso acontece, um monstro sai de dentro delas e elas podem xingar e ofender qualquer pessoa baseado no quanto elas ganham por mês ou no cargo que elas ocupam.

Acho que elas nunca repararam que são assim de verdade, mas acho que isso sim é a verdadeira personalidade das pessoas.

O preço de ser observador a respeito dessas coisas é que eu também tenho me conhecido melhor e sei quem sou. Meus amigos costumam me mostrar características latentes que eu tenho, mas minha personalidade eu conheço bem e a detesto.

Todo mundo pode mudar quase tudo a seu respeito, mas o caráter de verdade não muda nunca, salvo alguns casos em que uma lesão cerebral te faz virar uma pessoa incapaz de pensar nas consequências de seus atos, incapaz de demonstrar empatia (lesões no lobo frontal do cérebro fazem isso, por exemplo). Mas isso é outro caso de dano permanente.

Poder e apoio soltam a verdadeira pessoa engaiolada pelas regras da sociedade em que vive.

Já vi pessoas que demonstravam ser tolerantes e amigas dos gays, e que após se tornarem evangélicas e passaram a querer queimar vivos todos os gays que conheceram (ou para os mais tolerantes, quererem “curá-los”). Acredito que eles eram contra desde o começo, mas se reprimiam porque tinham um mundo inteiro comandando-os para que fossem assim.

Nós nos projetamos para o mundo exterior da forma que acreditamos que a sociedade precisa nos ver. Se as regras de nossa comunidade mudarem, liberamos mais uma amarra que prende nosso comportamento se necessário, ou acorrentamos uma opinião já existente.

E você, sabe quem é de verdade?

 
 

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Arrogância

Vamos falar de algo que sempre me incomoda no brasileiro.

Eu meio que falei sobre isso no outro texto sobre humildade, mas agora focarei um pouco no outro lado da moeda.

O maior problema dos brasileiros é essa noção super errada que dinheiro e/ou função definem caráter e valor da pessoa.

Se uma pessoa tem menos dinheiro que você, ela é pobre e você se sente ameaçado com ela por perto, ou ela não interessa para você. Se ela tem mais dinheiro ou fez algo que você nunca fez, ela é arrogante e exibida se demonstra fazer algo que você não faz.

Brasileiros são arrogantes e tem um complexo de inferioridade que dá medo. Isso e a nossa superficialidade natural são o melhor combustível para o abismo social que assola esse país.

Hoje encontramos esses seres em qualquer lugar, qualquer empresa ou qualquer igreja. Independe de cor de pele e origem. Vejo isso quase todo dia. Só não vejo todo dia porque sou um alienado e não interajo muito com gente durante o dia.

Bom, vamos ao ponto antes que o texto fique demasiado longo e tedioso como os outros.

O meu ponto é que não importa se a pessoa é rica, pobre, se é porteiro ou presidente, todos somos um conjunto de carne, ossos e fluidos que pensa e tem funções em sociedade. É muito comum pessoas da limpeza serem vistas como seres inferiores que não estudaram, que não tiveram oportunidades ou que são preguiçosas e não quiseram “ser alguém” na vida.

Essas próprias pessoas se veem como pessoas de classe inferior e mal olham para as pessoas para não as incomodar.

Pessoas que falam um outro idioma ou saíram do país são vistos como seres de sangue azul. Isso é ridículo, qualquer um pode aprender se quiser. Se alguém falar algum termo em inglês perto de você, você não precisa se sentir ofendido, é uma forma de se expressar e não quer dizer que a pessoa se sente superior, e sim que ela conhece um termo numa língua que é mais eficiente do que os nossos para expressar aquilo.

Se você pega alguém importante, como um presidente de alguma grande empresa e dá um banheiro para ele limpar, qual não seria a cara de nojinho que ele faria? Ele limparia a sujeira dos outros de cabeça erguida como nossa faxineira?

Cada um tem sua função, e cada um deveria ter orgulho dela, mas sem jamais desmerecer o trabalho de outros.

Um pedreiro na maioria dos casos é visto como um Zé ninguém aqui que faz “trabalhos brutos porque é ignorante”. Mas se pegar esse mesmo cara e levar para o Canadá, ele fará rios de dinheiro e será super respeitado, porque a sociedade de lá não tem muita gente interessada em trabalhos braçais.

Para quem não acredita, dá uma olhada nesse link que aponta para um divertido texto do Izzy Nobre, vejam o tópico número 6.

Então por que o preconceito? Esse comportamento acontece em qualquer lugar e não é só com faxineiros, se alguém é supervisor, coordenador ou qualquer outra coisa, vemos o comportamento se repetindo e a discriminação rolando solta.

Acho que é um problema com complexos de inferioridade. Se sentem inferiores até poderem dar um passo e compensar a frustração que sentiam, alimentando o ciclo vicioso para todo o sempre.

É possível ser uma pessoa humilde ou um crápula independentemente da quantidade de dinheiro que você tem, seu cargo, etnia ou escolhas da vida.

Sejamos todos melhores, só depende de nós vencer o preconceito.

 

Fracos e oprimidos

Nós brasileiros temos um histórico horrível de opressão nos sufocando.

Bom, não apenas o passado, mas no presente e creio que um longo futuro ainda por vir. E digo isso porque observo nosso comportamento e nós somos facilmente manipulados.

Não sei se o que falta é uma educação melhor, melhores políticas sociais ou o que quer que seja. Mas um fato é que brasileiro age como quem está acostumado a padrões ruins e não faz nada contra isso.

Mas talvez não o faça simplesmente porque é incapaz de ver que está errado, ou talvez porque seja acomodado.

O comodismo brasileiro é mítico, somos preguiçosos alienados e sem noção da força que podemos ter quando unidos.

Mas acho que o principal ponto é que somos todos pressionados por uma força, nesse caso estou falando que é a opressão, mas pode ter uma palavra bem melhor. Somos empurrados para baixo constantemente, seja por um poder maior, ou por um movimento silencioso que domina nossas mentes desde crianças.

Seja um movimento silencioso, planejado por qualquer um que esteve ou está no poder, ou qualquer pessoa que tenha criado um entretenimento em massa para o povo, ou espalhado conceitos limitados para a população.

Acho que todo mundo já ouviu a expressão “em time que está ganhando não se mexe” e outras parecidas. Mas pensamentos como esse estão e sempre estarão errados.

Acho que sempre é possível melhorar alguma coisa de alguma forma. É lógico que sempre haverá limites que não podem ser ultrapassados, porém se não tentarmos, como saberemos?

E muitas vezes o limite existe exatamente por estarmos tentando da forma errada.

Um exemplo que posso citar são os processadores de computadores pessoais. Quase que desde sua criação eles seguiram o mesmo conceito: “um processador com clock mais rápido fará as tarefas mais rapidamente”. E assim seguiram por muitos anos até chegarem na faixa acima dos 3 gigahertz, onde os processadores esquentavam demais e os dispositivos de resfriamento ficavam cada vez mais caros, complexos e ineficientes.

Então resolveram aplicar um conceito diferente de usar as áreas do processador que estavam ociosas para executar outras tarefas do trabalho simultaneamente e isso evoluiu para os processadores com diversos núcleos em velocidade mais baixa, que fazem tarefas de forma muito mais rápida e eficiente pois trabalham em conjunto, além de resolver o problema do calor.

Isso é um exemplo de como uma mudança de ponto de vista abriu novos horizontes.

Então por que temos essa tendência a fixarmos ideias e conceitos que nos são passados como imutáveis? Isso pode se aplicar em tantos lugares. Você mora num buraco e está tudo bem para você. Mas se quisesse, poderia morar em um lugar completamente diferente e melhor.

O esforço para procurar uma nova moradia pode ser cansativo,as a recompensa pode te dar mais conforto, mais horas de sono e menos tempo preso num trem cheio ou trânsito.

Ou você pode passar a vida inteira fazendo um trabalho que acha divertido e que pague bem, até você chegar perto do fim da sua vida e ver que se em vez de trabalhar com computadores, você seria muito mais feliz na psicologia, pois tinha um dom natural para isso.

Somos criados para acreditar que um mundo limitado é melhor, sermos limitados é melhor, pois onde não há mudança, não há risco.

A principal mudança que gostaria de ver nos brasileiros e em mim mesmo é esse despertar de verdade para o fato de que podemos nos mexer, nos unir e ter uma força de verdade, fazer valer nossa voz.

Vejo alguns exemplos de união que tem muita força. Veja as 1,6 milhões de assinaturas que coletaram contra o Renan Calheiros.

E se organizássemos uma ação coletiva com esses 1,6 milhões de pessoas em vez de entregar um abaixo assinado? Poucas pessoas foram entregar as assinaturas, o que aconteceria se metade dessas pessoas fossem entregar pessoalmente essas assinaturas?

Do jeito que aconteceu, 1,6 milhões foram calados porque o poder ativo usou uma ferramenta mais poderosa, que é a manipulação da imprensa e/ou o direito de ignorar a manifestação pública.

E por que os 1,6 milhões ficaram calados diante disso? Comodismo, não é?

O que vejo acontecer em casos assim é que as pessoas acomodadas fazem um esforço porque alguém incentivou, e se for infrutífero, elas se calam e desistem, acham que foi inútil e nada mudará. Com isso não tentam mais nada.

Acho que é um exemplo da opressão de que falei. Nós mesmos estamos nos segurando porque fomos ensinados a sermos omissos, sem poder. Oprimidos.

Se você quiser, o céu é o limite? Não, nem mesmo o céu será seu limite, os astronautas estão aí para provar isso, não estão?

Mude sua mente, descubra o que você quer fazer e tente até que seja capaz de fazer. Una-se a pessoas com ideais similares, estudem a barreira a ser destruída, em vez de ser a vítima de uma opressão silenciosa e invisível, seja você aquele que a empurra de volta.

Livre-se daquilo que te prende. Lute contra a opressão do mundo.

 
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Publicado por em março 11, 2013 em comportamento, pensamentos, sociedade

 

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